segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Primavera dos Museus começa hoje em 310 cidades

Uma retrospectiva sobre a reconstrução do traje feminino nos anos 80 e 90. Uma apresentação musical e uma palestra que voltam ao século XIX e destacam mulheres compositoras na história da música brasileira. Relatos sobre a vida de personagens femininas da cultura brasileira que lutaram e continuam na lida pela concretização de ideias e desafiam as previsões e o cotidiano de impossibilidades. Esses são alguns dos destaques da programação do Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), que começa hoje e segue até o dia 25 de setembro, quando mais de 500 instituições em 310 cidades brasileiras se organizam para celebrar a importância feminina na construção da sociedade na 5ª Primavera dos Museus.
A 5ª Primavera é um evento realizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Minc) e vai discutir como o gênero, a mulher e o feminino estão sendo pensados na contemporaneidade, além de valorizar a história e o papel da mulher no setor, através do tema “Mulheres, Museus e Memórias”. O objetivo é sensibilizar as instituições museais e a comunidade para o debate sobre temas da atualidade. Uma ampla e diversificada programação movimentará a semana dedicada aos museus de todo país. Seminários, exposições, oficinas, espetáculos musicais, de teatro e de dança, mesas-redondas, visitas guiadas, gincanas, atividades recreativas e exibições de filmes compõem a agenda.
Hoje, os alunos da Escola de Música da Universidade Federal do Pará apresentam, às 10h, um musical com composições de artistas do século XIX, cujo trabalho será explorado no próximo dia 24, na palestra “Mulheres compositoras do acervo musical de Vicente Salles”, numa abordagem histórica da mulher como compositora na época.

A partir de hoje, o Museu da UFPA também recebe a mostra “Mulher, Moda e Memória”, onde o público poderá conferir o desenrolar da forma de vestir o corpo feminino nos anos 80 e 90. A exposição fica aberta até 25 de setembro, das 10 às 17h. No dia 22, os debates se concentram na palestra “As Tramas da História das Mulheres na Ousadia das Lutas e no Desafio da Memória”.
As histórias das mulheres também serão discutidas e compartilhadas em outros lugares de Belém e do Pará. No Ponto de Memória da Terra Firme haverá palestras e relatos das protagonistas das lutas e conquistas por moradia, segurança, saneamento básico e cultura em um dos bairros mais carentes e populosos da Região Metropolitana de Belém. O Ponto de Memória é uma entidade que se propõe a resgatar e preservar a trajetória dos moradores do lugar, em especial das mulheres, sempre atuantes e líderes das movimentações sociais da comunidade.
Hoje, o Ponto de Memória promove a palestra “Mulheres, Museus, Memórias e Cidadania na Terra Firme”. Amanhã, as mulheres que moram ou já viveram no bairro, contam suas batalhas cotidianas como líderes de movimentos sociais.
É o caso de Maria José Dutra, 60. Maria é professora aposentada, sindicalista, representante do Fórum Metropolitano de Reforma Urbana e vive uma guerra particular e coletiva com o poder público, que na maioria das vezes não comparece para cumprir seu dever.
Maria gosta de dizer que luta pelo direito de se apropriar da cidade. Criada no interior de Bragança, na comunidade Campo de Baixo, onde só era possível estudar até a quarta série, ela se habituou a vencer obstáculos cotidianos. Migrou do campo para a capital paraense na década de 70. Estudou, trabalhou, lutou. Viveu. Teve cinco filhos, nunca casou. Não por escolha, mas ‘por falta de sorte’. Em 87, 14 anos depois de parar os estudos, ela passou no vestibular em Letras, na Universidade Federal do Pará (UFPA). E tudo sempre muito atarefada com o compromisso de fazer as mulheres entenderem que podem e devem tomar as rédeas do próprio destino.
“Enquanto você fica dentro de casa, você não pode ter a sensação de pertencimento à cidade. Você tem que ter a audácia de dizer que a cidade é sua. No que se refere à mulher, a gente tenta instruir essas mulheres de que elas têm que se respeitar, buscar conhecimento, sair da
ociosidade, buscar algo para si. Eu vivia uma eterna busca, pegava informação em revistas velhas, jornais de outro dia, o que dava, fiz vestibular quando eu tinha 36 anos. Fui mãe solteira todo esse tempo”, diz Maria, numa tentativa de instigar outras mulheres com seu próprio exemplo.

Programação:

HOJE
Música: Apresentação musical de época “Mulheres compositoras” pelos alunos da Emufpa.
Local: Jardim do MUFPA.
Hora: 10h às 11h.

AMANHÃ
Teatro. Apresentação de peça teatral pelo grupo da Escola de Teatro Sala da UFPA. No Jardim do MUFPA. 10h e 17h.

SÁBADO, 22
Palestra: “As Tramas da História das Mulheres na Ousadia das Lutas e no Desafio da Memória”. Palestrante: Profa. Luzia Álvares. Na sala de Palestra do MUFPA, às 9h.

SEGUNDA, 24
Palestra: “Mulheres Compositoras do Acervo Musical Vicente Salles”. Importância da mulher como compositora no contexto histórico do séc.19. Palestrante: Prof. Jonas Arraes. Na Biblioteca do MUFPA, às 10h

DE HOJE A 25 DE SETEMBRO
Mostra: “Mulher, Moda e Memória”. Retrospectiva de reconstrução vestimental dos anos 80 e 90. Curadoria: Msc. Almira Martins. Na Sala de Multiuso, de 10h às 17h.

Fonte: www.diarioonline.com.br  19/09/2011

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